Motoboys veteranos - eles são mais cuidadosos

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Motoboys veteranos - eles são mais cuidadosos

Eles já foram chamados de vilões do trânsito em todos os sentidos. Da disputa de cada centímetro com veículos de quatro ou mais rodas ou ainda ciclistas. Na eterna briga com pedestres nos corredores de carro ou acidentes no trânsito, não importava. Onde tinha motoboy a confusão estava por perto. Mas, com a profissionalização do setor, tudo mudou e, se em partes os conflitos não acabaram, pelo menos na questão de trânsito, os veteranos se tornaram experientes e muito, muito mais atenciosos com a questão da segurança.

Responsabilidade em meio aos carros, ônibus, caminhões, pedestres e bicicletas. Ágil, respeitar as leis de trânsito e concluir as entregas são palavras que hoje estão no vocabulário dos motoboys. Os mais vividos, “espertos” de rua, são hábeis e fazem tudo no tempo, não contra o tempo. Esses têm se acidentado menos e vivido mais. Pesquisas mostram que, os profissionais mais velhos estão em menor número nas estatísticas do trânsito que hora diminui, hora aumenta.

Ser um motoboy é relativamente simples: compra-se uma moto, um baú, alguns itens de segurança, cumpre-se outras obrigações conforme leis que regem a categoria e pronto!


O fácil acesso à profissão, porém, esconde perigos. Durante muito tempo os motoboys foram vilões e as maiores vítimas do trânsito caótico das grandes cidades. “No começo, mesmo sendo fácil trabalhar de motoboy, os riscos eram grandes e sempre tinha um ou outro colega machucado, quando não um desconhecido morto na rua”, diz Kleber Santana da Silva, 38 anos e desde 1997 atuando como motoboy. Hoje mora na região do Morumbi, costuma fazer entregas pelas regiões do Itaim, Paulista, Sumaré entre outros pontos das proximidades e é muito mais cuidadoso ao pilotar do que era anos atrás.

A Organização da categoria pelo Brasil afora foi parâmetro para diminuição de acidentes. No decorrer dos anos, os motoboys mudaram de postura e, o que era apenas bico tornou-se profissão.

Para Kleber, mesmo passando tanto tempo desde o início da profissão de motofretista, ainda vê discriminação, desvalorização, mas, acha que a classe é muito desunida. Em sua opinião, a situação do motoboy hoje é pior do que antes. “Acho que falta valorização do profissional, salário melhor e mais segurança para trabalhar, o resto é por nossa conta”, diz. Mas o motoboy também concorda que os companheiros de rua atualmente são mais conscientes e mais comportados no trânsito. Existem casos e casos, mas, existem muitos pais de família na profissão, então o importante é se manter vivo, os acidentes podem ser evitados, mas, ambos, tanto motoristas que são algumas vezes desrespeitosos quanto os motociclistas imprudentes, a conscientização geral de uma forma mais eficiente e objetiva pode fazer a diferença. Não precisa multar, mas educar os usuários de transito”, fala.

Já Moacir Machado Junior, 38 anos, casado, e atuando no setor há 20 anos como motoboy, trabalha registrado, mora na zona sul e presta serviço na região central. Lembrando dos velhos tempos, diz que era bem diferente, ganhava mais e não tinha tanta exigência como hoje. Em partes, ele está certo porque mesmo não tendo fiscalização, a Lei Federal 12009 exige uma série normas a serem cumpridas. Quando olha para a situação dos motoboys nos dias atuais, diz que está ruim. “Nós não temos nem bolsão de estacionamento, temos que estacionar em lugares longe e as vezes ficar rodando muito esperando vagas. Essa atenção específica as vezes tira a concentração e nos faz ficar vulneráveis a acidentes”, lamenta. Moacir ainda fala do salário baixo, o alto custo da gasolina, contas que não param de subir. “Rapaz, tá difícil, em minha opinião nossa situação piorou e ainda por cima tem a questão de acidentes. Toda essa preocupação reflete em nosso estado emocional que, com certeza termina na rua em uma curva mal feita”, ressalta.

Assim como Kleber, para ele está faltando mais valorização, melhor salário, mais bolsões e políticas públicas para melhorar as condições de trabalho. Moacir ainda entende que o motoboy está mais consciente, vê muitos acidentes que talvez pudessem ter sido evitados, mas, existem muitos motociclistas imprudentes em cima de uma moto, como os mais novos, por exemplo, que gostam de abusar da sorte, cometem erros, e as vezes pagam com a vida. Ele observa também uma série de outros fatores, porém, acredita que os acidentes envolvendo motoboys diminuíram, por que os veteranos trabalham com a moto com mais consciência que os demais usuários. Para ele a maioria dos acidentes envolvendo moto é com gente abaixo dos 30 anos.

Terceiro Entrevistado - mat.Capa ED 158Mário Marinho de Souza, 47 anos, destes 18 anos como motoboy, trabalha por aplicativo, sem registro em carteira, é casado tem filhos e mora na Zona Sul de São Paulo. Ele acha também que antes era mais complicado que hoje na questão de segurança. Os primeiros motoboys que surgiram na profissão sabem disso, era muito mais perigoso por se tratar de algo novo. Então os motoristas não eram acostumados a dirigir com motos no corredor no início e aconteciam muitos acidentes, e os com pouca experiência sempre se acidentavam, era praticamente 3 a 4 motoboys acidentados todos os dias. Na questão financeira, antes ganhava-se mais dinheiro porque hoje tem muitos motoboys e muita concorrência de serviço.

Mário percebe a situação dos motoboys como pouco nos dias atuais. Para ele a situação está precária, estão abandonados e falta muita coisa para melhorar, como por exemplo, mais bolsões para estacionar, mais respeito e valorização da profissão. Itens esses já elencados pelos motoboys acima. Com certeza, se a categoria percebe essa necessidade, também isso reforça que a falta de estrutura acaba revertendo em acidentes.

Para Mário, a solução para melhorar as condições do motoboy seria mais bolsões para estacionar a moto, um salário melhor, facilidade para compra de motos zero modelo cargo e a volta da faixa exclusiva para moto porque acredita que traz mais segurança para o motociclista, principalmente os inexperientes.

“Os veteranos tem menos pressa e são mais atenciosos, são também mais conscientes e mais comportados no trânsito por conta da família, filhos, assim, valorizando mais a sua vida”, fala.

Já Luís Carlos Rodrigues, 43 anos, e que trabalha há 15 anos na profissão é registrado. Até concorda que os mais velhos de rua são mais comportados, mas que muitos abusam da sorte. Ele acredita que a ajuda da tecnologia como o GPS, entre outras comodidades, oferece mais segurança para os mais experientes. Os novatos, segundo ele, nem sempre usam a tecnologia a seu favor de forma positiva, mas sim, negativamente.

“A situação dos motoboys melhorou bastante, por que ganhamos mais direitos na profissão, como o aluguel da moto, adicional de periculosidade, mas, o que está faltando mesmo, é mais união e mais respeito”, salienta.

Para ele, os governantes e o poder público deveriam aliviar mais na questão de multas para os motociclistas, blitz da polícia etc. Essas preocupações resultam em falta de atenção, além de cansaço, stress etc.

Segundo ele, são mais conscientes e mais comportados no trânsito os mais velhos, porém, isso é uma faca de dois gumes, existem os bons motoboys e os maus motoboys, os bons, são os mais conscientes, mais atenciosos, mais cuidadosos e sofrem menos acidentes. Já os maus são o oposto, são briguentos, arruaceiros, quebram tudo, são mais estressados, mas, falta bom senso de ambos, dos motoristas e pedestres”, alfineta.

Eduardo José Ferreira da Silva 34 anos, tem o menor tempo na profissão, 10 anos, mas se considera veterano. Achava a categoria bagunçada, que não tinha tanta fiscalização, nem essa indústria das multas, e, com pouca fiscalização, aconteciam muito mais acidentes que hoje.

Atualmente, segundo ele mesmo, a situação está melhor, os motoboys já trabalham com motos melhores, mais conservadas, se preocupam mais com a segurança. Antigamente, para ele, morria muito mais motoboys, hoje, são os motociclistas convencionais.

O que tem mais hoje, que reflete no comportamento do motociclista profissional no trânsito são mais roubos de motos e mais fiscalização com a Polícia Militar, que aumentou também as multas para motociclista. Ele ainda relata a falta de investimento para as motos em São Paulo e infraestrutura viária.

Ele lembra com saudade o Plano Motoboy, que era um incentivo que o Governo abriu de uma linha de crédito para os profissionais do ramo adquirirem motos novas para o trabalho, finaliza.



Fonte: http://motoboymagazine.com.br/


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